Apesar das primeiras promessas de campanha de encerrar a guerra da Ucrânia,
Donald Trump há uma semana atrás fez declarações estarrecedoras, dando a entender uma virada ainda mais agressiva da política externa americana. O presidente eleito passou não só a ameaçar seus inimigos declarados, como também mostrou estar disposto a ameaçar a soberania de seus próprios aliados, sugerindo o uso da força para controlar o Canal do Panamá e a Groelândia e decidindo unilateralmente que o Canadá deveria ser anexado como o 51º estado Americano. Não bastasse isso, o presidente eleito propôs também que se mudasse o nome do Golfo do México para Golfo da América.
O que explica esse discurso de domínio pela força?
A explicação se encontra em grupos de pressão internos, cujo interesse é a ampliação dos conflitos, e o próprio caráter da altright trumpista.
Sobre o primeiro fator, a política externa americana desde a época de Reagan tem sido influenciada pelo chamado complexo-industrial-militar (CIM), termo criado por
Eisenhower para se referir a empresas que se beneficiam de contratos do departamento de defesa para produção de armas e outros serviços de defesa. O CIM influencia a política americana ao financiar campanhas eleitorais, ao promover o lobby dentro das principais agências do Estado americano (Departamento de Estado, Departamento de Defesa, NSA, CIA…).Como consequência disso, a diplomacia, o multilateralismo e as soluções pacíficas
têm sido preteridas para uma agenda de simples demonstração de poder militar. Sobre o segundo fato, o Trumpismo se caracteriza pela noção de que os Estados Unidos
vivenciam hoje uma decadência profunda, cuja recuperação de sua grandeza está ligada à vontade de um líder com determinação a agir de forma decisiva contra os inimigos da nação.
Assim o discurso proferido por Trump busca mostrar força contra todos que se oponham ao poder americano, sugerindo que os Estados Unidos estão dispostos a tomarem medidas firmes e militares até contra seus aliados, caso não obedeçam a seus desígnios.
C.T.V.