O Brasil vive hoje em um contexto internacional bastante singular. Entre as transformações principais está a queda relativa do poder americano em relação à China e Rússia, o aumento do número de conflitos, a estagnação econômica, o desmonte de várias facetas do regime ONUsiano e novos desafios climáticos. Certamente, o otimismo dos anos noventa cedeu espaço para uma ansiedade generalizada em todos os aspectos da política global. O Brasil não está preparado para o futuro, pois não possui uma estratégia definida.
Em relação ao BRICS, o Brasil está em uma emboscada, uma vez que o Bloco econômico têm se transformado em um regime paralelo ao ONUsiano e adversário aos interesses americanos. Em algum momento próximo, teremos de escolher um lado: ou o bloco ocidental, ou o BRICS. Caso escolhamos o primeiro, perderemos muitas oportunidades para o desenvolvimento do país, caso escolhamos o segundo, seremos alvo de retaliações dos americanos, com o risco de haver tentativas de ruptura de nosso Estado democrático por influência estadunidense.
Na América do Sul, por sua vez, vemos um Brasil apático em relação aos seus vizinhos, em especial à Venezuela e à Argentina. Ambos os países já escolheram seus respectivos lados do mundo e estão pressionando o Brasil por estar no meio do muro. Não bastasse isso, com a América do Sul fragmentada e desunida, seremos alvos fáceis para as interferências externas.
Internamente, vemos uma sociedade dividida, com uma elite pouco preocupada em desenvolver as capacidades industriais do país, preferindo manter o país como um simples exportador de commodities para os dois lados do mundo, mas tendendo a obedecer o Ocidente. Nesse sentido, o atual presidente e seus sucessores deverão retomar um projeto de país que busque obter força o suficiente para sobreviver às adversidades crescentes.
Infelizmente, o cenário mais provável é que o Brasil perca seu protagonismo no BRICS e na América do Sul e tenha que aceitar as amargas demandas do Ocidente.
C. T. V.