O Brasil em cima do muro?

O Brasil vive hoje em um contexto internacional bastante singular. Entre as transformações principais está a queda relativa do poder americano em relação à China e Rússia, o aumento do número de conflitos, a estagnação econômica, o desmonte de várias facetas do regime ONUsiano e novos desafios climáticos. Certamente, o otimismo dos anos noventa cedeu espaço para uma ansiedade generalizada em todos os aspectos da política global. O Brasil não está preparado para o futuro, pois não possui uma estratégia definida.

Em relação ao BRICS, o Brasil está em uma emboscada, uma vez que o Bloco econômico têm se transformado em um regime paralelo ao ONUsiano e adversário aos interesses americanos. Em algum momento próximo, teremos de escolher um lado: ou o bloco ocidental, ou o BRICS. Caso escolhamos o primeiro, perderemos muitas oportunidades para o desenvolvimento do país, caso escolhamos o segundo, seremos alvo de retaliações dos americanos, com o risco de haver tentativas de ruptura de nosso Estado democrático por influência estadunidense.

Na América do Sul, por sua vez, vemos um Brasil apático em relação aos seus vizinhos, em especial à Venezuela e à Argentina. Ambos os países já escolheram seus respectivos lados do mundo e estão pressionando o Brasil por estar no meio do muro. Não bastasse isso, com a América do Sul fragmentada e desunida, seremos alvos fáceis para as interferências externas.

Internamente, vemos uma sociedade dividida, com uma elite pouco preocupada em desenvolver as capacidades industriais do país, preferindo manter o país como um simples exportador de commodities para os dois lados do mundo, mas tendendo a obedecer o Ocidente. Nesse sentido, o atual presidente e seus sucessores deverão retomar um projeto de país que busque obter força o suficiente para sobreviver às adversidades crescentes.

Infelizmente, o cenário mais provável é que o Brasil perca seu protagonismo no BRICS e na América do Sul e tenha que aceitar as amargas demandas do Ocidente.

C. T. V.

Quem deve ser responsabilizado pela mudança climática?

Os incêndios que ocorreram ano passado em todo o Brasil e o desastre recente em Los Angeles fazem parte do mesmo fenômeno: o aumento das temperaturas médias do planeta causado pela emissão de gases do efeito estufa. Em 2024 o mundo esquentou acima do limiar climático de 1,5°C em relação à temperatura posta antes da era industrial.

Para muitos especialistas, a ultrapassagem dessa marca trará consequências catastróficas e imprevisíveis para a vida das pessoas. Entre elas estão o aumento de enchentes, longos períodos de estiagem, aumento do nível dos mares, aumento dos incêndios, desertificação entre outras intempéries climáticas anômalas que juntas gerarão o agravamento das desigualdades e da fome.

Injustamente, populações mais marginalizadas serão as mais impactadas, ainda que quem mais polua seja o 1% mais rico do planeta. De acordo com o relatório da OXFAM, e as estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a cota anual de emissão de carbono por pessoa, para limitar o aquecimento a 1,5°C, é de 2,1 toneladas de dióxido de Carbono. O 1% mais rico sozinho emite 76 toneladas por pessoa, ao ostentar um estilo de vida extravagante de jatos particulares, iates, mansões e outros prazeres inúteis.

Afim de evitar a piora da situação que já é grave, os governos precisam parar de servir apenas aos interesses dos mais ricos e os líderes que não agirem estarão escolhendo ser cúmplices dessa crise. É preciso responsabilizar quem polui mais, reduzir as emissões dos mais ricos; criar impostos sobre renda e riqueza do 1% mais rico; aplicar tributações punitivas sobre bens de luxo e regulamentar corporações para cortar emissões. Internacionalmente, é preciso aumentar o financiamento climático para países do Sul Global, que sofrem os piores impactos.

C. T. V.

Fonte: https://www.oxfam.org.br/noticias/1-da-populacao-mais-rica-esgota-seu-limite-anual-de-emissoes-de-carbono-em-apenas-10-dias/#

Trumpismo com Esteróides?

Apesar das primeiras promessas de campanha de encerrar a guerra da Ucrânia,
Donald Trump há uma semana atrás fez declarações estarrecedoras, dando a entender uma virada ainda mais agressiva da política externa americana. O presidente eleito passou não só a ameaçar seus inimigos declarados, como também mostrou estar disposto a ameaçar a soberania de seus próprios aliados, sugerindo o uso da força para controlar o Canal do Panamá e a Groelândia e decidindo unilateralmente que o Canadá deveria ser anexado como o 51º estado Americano. Não bastasse isso, o presidente eleito propôs também que se mudasse o nome do Golfo do México para Golfo da América.

O que explica esse discurso de domínio pela força?

A explicação se encontra em grupos de pressão internos, cujo interesse é a ampliação dos conflitos, e o próprio caráter da altright trumpista.

Sobre o primeiro fator, a política externa americana desde a época de Reagan tem sido influenciada pelo chamado complexo-industrial-militar (CIM), termo criado por
Eisenhower para se referir a empresas que se beneficiam de contratos do departamento de defesa para produção de armas e outros serviços de defesa. O CIM influencia a política americana ao financiar campanhas eleitorais, ao promover o lobby dentro das principais agências do Estado americano (Departamento de Estado, Departamento de Defesa, NSA, CIA…).Como consequência disso, a diplomacia, o multilateralismo e as soluções pacíficas
têm sido preteridas para uma agenda de simples demonstração de poder militar. Sobre o segundo fato, o Trumpismo se caracteriza pela noção de que os Estados Unidos
vivenciam hoje uma decadência profunda, cuja recuperação de sua grandeza está ligada à vontade de um líder com determinação a agir de forma decisiva contra os inimigos da nação.


Assim o discurso proferido por Trump busca mostrar força contra todos que se oponham ao poder americano, sugerindo que os Estados Unidos estão dispostos a tomarem medidas firmes e militares até contra seus aliados, caso não obedeçam a seus desígnios.

C.T.V.