Briga de artista sempre dá engajamento, e a treta entre Anitta e Ludmilla não foi diferente. Fãs escolheram lados, a internet pegou fogo e os portais de fofoca faturaram alto. Mas no fim das contas, quem realmente lucrou com essa rixa? Spoiler: não foram elas.
O mercado musical adora rivalizar mulheres, principalmente mulheres negras e periféricas. Enquanto Anitta e Ludmilla trocam farpas, empresários do entretenimento seguem lucrando. O pop e o funk são indústrias milionárias, mas quem controla o dinheiro? Não são as artistas, mas grandes gravadoras, plataformas de streaming e patrocinadores que exploram seus talentos e incentivam conflitos para manter a audiência ligada.
Essa lógica não é nova. A mídia sempre colocou mulheres contra mulheres para vender mais. No rap, Cardi B e Nicki Minaj já passaram pelo mesmo. No Brasil, as grandes rádios e festivais criam espaços limitados para cantoras, fazendo com que disputem entre si em vez de questionarem o porquê de tão poucas estarem lá.
Enquanto isso, o machismo na indústria segue intocado. DJs e produtores que abusam de mulheres continuam sendo protegidos. Funkeiros e rappers homens que ostentam vidas de luxo raramente são questionados, enquanto artistas femininas precisam constantemente provar seu valor.
No fim, a treta entre Anitta e Ludmilla é só mais um sintoma de um sistema que joga mulheres para competir enquanto homens e empresários enchem os bolsos. O verdadeiro inimigo não é uma ou outra cantora, mas um mercado que lucra com a desunião e invisibiliza talentos que não se encaixam no padrão esperado.
A cultura precisa ser um espaço de emancipação, não de exploração. O problema não é quem ganha a briga — é quem ganha dinheiro com ela.