Os incêndios que ocorreram ano passado em todo o Brasil e o desastre recente em Los Angeles fazem parte do mesmo fenômeno: o aumento das temperaturas médias do planeta causado pela emissão de gases do efeito estufa. Em 2024 o mundo esquentou acima do limiar climático de 1,5°C em relação à temperatura posta antes da era industrial.
Para muitos especialistas, a ultrapassagem dessa marca trará consequências catastróficas e imprevisíveis para a vida das pessoas. Entre elas estão o aumento de enchentes, longos períodos de estiagem, aumento do nível dos mares, aumento dos incêndios, desertificação entre outras intempéries climáticas anômalas que juntas gerarão o agravamento das desigualdades e da fome.
Injustamente, populações mais marginalizadas serão as mais impactadas, ainda que quem mais polua seja o 1% mais rico do planeta. De acordo com o relatório da OXFAM, e as estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, a cota anual de emissão de carbono por pessoa, para limitar o aquecimento a 1,5°C, é de 2,1 toneladas de dióxido de Carbono. O 1% mais rico sozinho emite 76 toneladas por pessoa, ao ostentar um estilo de vida extravagante de jatos particulares, iates, mansões e outros prazeres inúteis.
Afim de evitar a piora da situação que já é grave, os governos precisam parar de servir apenas aos interesses dos mais ricos e os líderes que não agirem estarão escolhendo ser cúmplices dessa crise. É preciso responsabilizar quem polui mais, reduzir as emissões dos mais ricos; criar impostos sobre renda e riqueza do 1% mais rico; aplicar tributações punitivas sobre bens de luxo e regulamentar corporações para cortar emissões. Internacionalmente, é preciso aumentar o financiamento climático para países do Sul Global, que sofrem os piores impactos.
C. T. V.